Homonímia e Polissemia


         Homonímia é a relação entre duas ou mais palavras que, apesar de possuírem significados diferentes, possuem a mesma estrutura fonológica - HOMÔNIMOS.

         As palavras homônimas podem ser:

Homógrafas heterofônicas (ou homógrafas) - são as palavras iguais na escrita e diferentes na pronúncia.
Exemplos:

gosto (substantivo) - gosto (1.ª pess.sing. pres. ind. - verbo gostar)

conserto (substantivo) - conserto (1.ª pess.sing. pres. ind. - verbo consertar)

Homófonas heterográficas (ou homófonas) - são as palavras iguais na pronúncia e diferentes na escrita.
Exemplos:

cela (substantivo) - sela (verbo)

cessão (substantivo) - sessão (substantivo)

cerrar (verbo) - serrar (verbo)

Homófonas homográficas (ou homônimos perfeitos) - são as palavras iguais na pronúncia e na escrita.
Exemplos:

cura (verbo) - cura (substantivo)

verão (verbo) - verão (substantivo)

cedo (verbo) - cedo (advérbio)


         Curiosidades:
cesta = utensílio de vime, etc.
sexta = ordinal referente a seis.

cheque = papel com ordem de pagamento.
xeque = lance no jogo de xadrez, ex-soberano da ex-Pérsia (atual Irã), perigo.

cocho = vasilha, recipiente onde se colocam alimentos ou água, para animais.
coxo = que manca de uma perna.

concerto = harmonia, acordo, espetáculo.
conserto = ato de consertar, remendar.

coser = costurar.
cozer = cozinhar.

empoçar = formar poça.
empossar = dar posse a.

intercessão = ato de interceder.
interseção = ponto onde duas linhas se cruzam.

ruço = pardacento, cimento; alourado.
russo = relativo à Rússia.

tacha = pequeno prego, tacho grande.
taxa = imposto, juros.

tachar = censurar.
taxar = regular, determinar a taxa.

           Polissemia é a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar vários significados.
Exemplos:

Ele ocupa um alto posto na empresa.
Abasteci meu carro no posto da esquina.

Os convites eram de graça.
Os fiéis agradecem a graça recebida.

Paronímia

 


         Diante dos enunciados que seguem, analisemos:

"A pessoa que estava ao seu lado demonstrou ser um cavalheiro."

"A carreata seguiu adiante acompanhada dos cavaleiros trajados a rigor."

        Constatamos a presença de dois vocábulos que se mostram semelhantes, tanto no som quanto na grafia. Entretanto, quando analisados de modo contextual, retratam significados divergentes, haja vista que na primeira oração o sentido, se refere a uma atitude cordial, educada. Já na segunda, o sentido se atém a um determinado grupo que, supostamente, saiu em cavalgada rumo a um determinado lugar.
        Mediante tal ocorrência, deparamo-nos com uma particularidade linguística, ora caracterizada pela paronímia – relacionada à Semântica –, estabelecendo uma estreita relação com o significado das palavras de acordo com o contexto em que se inserem. Não somente os casos evidenciados acima, mas também tantos outros representam a classe a qual denominamos de parônimos. Vejamos a seguir uma relação destes:

absolver - inocentar, perdoa                               absorver - sorver, consumir
aprender - instruir-se                                          apreender - assimilar
arrear - pôr arreios                                             arriar - descer, abaixar
comprimento - extensão                       cumprimento - ato de cumprimentar, saudação
deferir - conceder, atender                                  diferir - diferenciar
descrição - ato de descrever                        discrição - ser discreto, reservado
descriminar - inocentar                                        discriminar - distinguir
emergir - vir à tona                                              imergir - mergulhar
emigrar - sair da Pátria                    imigrar - entrar em um país estranho para nele residir
flagrante - evidente                                              fragrante - perfumado
incidente - ocorrência, episódio                              acidente - desastre
inflação - desvalorização do dinheiro                        infração - violação
infligir - aplicar castigo                                              infrigir - desrespeitar, violar
mandato - procuração, incumbência                          mandado - ordem judicial
ótico - relativo ao ouvido                                             óptico - relativo à visão
peão - peça do jogo de xadrez; amansador de cavalos  pião - brinquedo
pleito - disputa eleitoral                                                 preito - homenagem
ratificar - confirmar                                                       retificar - corrigir
recreação - diversão                                                     recriação - ato de recriar
soar - emitir som                                                            suar - transpirar
sortir - prover                                                                surtir - resultar
tráfego - trânsito, fluxo de veículos                                 tráfico - comércio ilícito
vultoso - volumoso, de grande vulto                               vultuoso - inchado

As expressões "pedir para" e "pedir que"


          No intuito de melhor compreendermos sobre os aspectos norteadores das expressões ora evidentes, ater-nos-emos a dois termos que literalmente nos revelam indícios extremamente pertinentes ao fato em questão – pressupostos semânticos.
          Isso nos leva a crer que as circunstâncias relacionadas ao emprego dos referidos termos estão de fato submetidas ao sentido expresso por eles. Constatação efetivamente plausível, pois são inúmeras as ocorrências linguísticas, cuja característica marcante se deve a este pressuposto. Dessa forma, analisemos os presentes enunciados, os quais nos subsidiarão rumo aos propósitos firmados. Observe:

"Os alunos pediram para sair mais cedo, pois precisavam estudar para o simulado."

"O gerente pediu para que todos os funcionários comparecessem à reunião, realizada em caráter de urgência."

         Ambos, quando analisados sob a ótica dos compêndios gramaticais, se apresentam de forma correta? A resposta para tal questionamento é negativa, mas vejamos por que:
        O termo “pedir para” é usado quando o sentido, estando explícito ou subentendido, retratar “licença, permissão, autorização”. Assim sendo, somente o primeiro exemplo está correto, haja vista que ele atende a esse requisito:

"Os alunos pediram (licença, permissão) para sair mais cedo, pois precisavam estudar para o simulado."

         Já o termo “pedir que” não prescinde da palavra “para”, uma vez que não revela a mesma noção de significância. Portanto, o segundo exemplo está incorreto, pois dispensa o uso desta, cuja reformulação se evidenciaria por:

"O gerente pediu que todos os funcionários comparecessem à reunião, realizada em caráter de urgência."

        É bem possível que, mediante tais postulados, não tenhamos mais nenhuma dúvida em relação a este caso, estando aptos a colocar em prática todo nosso conhecimento ao nos tornarmos familiarizados com suas principais características.

Polissemia na Língua Portuguesa


         Antes mesmo de nos “deleitarmos” mediante os recursos inimagináveis oferecidos pela linguagem, sugere-se como “entrada” uma reflexão acerca do discurso concernente aos enunciados linguísticos, assim elucidados:

"Nossas mãos requerem um cuidado maior durante esta estação, posto que o clima predominante é o seco."
 "Que prato divino! Sua mãe tem mesmo mãos de fada para cozinhar."

"Precisamos dar cabo a todo este desânimo que nos assola."

"Como o pai de Gustavo é cabo do exército, ele também pretende seguir a carreira militar."
         

         Constatamos que se constituem de termos idênticos (mãos/cabo). Contudo, parte-se do pressuposto de que tais termos estão condicionados a um dado contexto – condição elementar para que possamos analisar o sentido retratado por estes. Assim sendo, façamos uma análise no intuito de detectá-lo:

         O sentido do vocábulo “mãos” no primeiro exemplo refere-se a uma parte constitutiva do corpo humano, enquanto que, no segundo, se atém à noção de habilidade, aptidão para exercer atividades relacionadas à culinária.
         No terceiro enunciado, temos que “cabo” se encontra condicionado à ideia de desapego, ou seja, livrar-se de algo inconveniente, que importuna. De acordo com o último, temos que o mesmo termo já se refere a uma posição hierárquica, em se tratando dos estágios condizentes ao campo profissional em questão.

         Servimo-nos desses pressupostos para mais uma vez constatarmos o dinamismo e a flexibilidade da qual se perfaz a língua, posto que uma mesma palavra pode revelar distintos sentidos, bastando, para isso, somente estar inserida em uma circunstância linguística de forma específica – modalidade ora concebida como polissemia que, literalmente, a começar pelo radical “-poli”, já nos induz à presente significação: “diversidade”. Vejamos ainda outros casos representativos:

"Venha experimentar seu vestido, pois faltam somente as mangas para que ele fique pronto."

"Uma das frutas mais saudáveis, e que eu aprecio é a
manga."


"Tenha cuidado ao recostar aí, pois o braço do sofá está solto."

"Como era previsível, Pedro quebrou o braço em uma de suas terríveis peraltices."

"Ter de" ou "ter que"? "Dentre" ou "entre"? - Aplicações usuais


          Enquanto conhecedores natos dos aspectos relacionados às peculiaridades linguísticas, que, diga-se de passagem, são um tanto quanto complexas, muitas vezes atribuímos significado, grafia, dentre outros aspectos, a determinadas expressões de forma errônea.
          Mesmo em se tratando de algo natural, inerente à referida conduta, é sempre bom que estejamos cientes acerca da forma correta, para que, assim, não subvertamos os postulados a que se devem os padrões convencionais da língua.
          Assim sendo, colocamo-nos na condição de conhecedores de duas triviais expressões, levando-se em consideração suas principais características e, consequentemente, suas reais circunstâncias de uso. Diante disso, vejamos:

         Ter que / ter de

"Temos que estudar para a avaliação de amanhã."

          Estaria correta tal colocação?
         Nesse caso, o correto seria utilizarmos a expressão “ter de”, uma vez que esta denota obrigação, necessidade em relação a um determinado assunto – a de se preparar para a avaliação –, tornando, assim, evidenciada:

"Temos de estudar para a avaliação de amanhã."

A expressão “ter que” é aplicável em situações que revelem a ideia de “ter algo para”, como em:

"Nossa! Temos muito que fazer neste final de semana."

        Constatação efetivada, pois temos a noção de algo para executar. 
        Então, atente-se para este fato, uma vez que a análise contextual parece proferir sua palavra de ordem.

          Dentre ou entre
        Torna-se importante ressaltarmos para o fato de que “dentre” se revela pela contração “de” + “entre”. Desse modo, aplica-se somente aos verbos que exijam ao mesmo tempo as duas preposições, tais como: "sair" de, "surgir" de, e demais similares. Como por exemplo:

"Dentre todas as cartas, ele tirou justamente aquela premiada."

        Não havendo a condição acima prescrita, usa-se “entre”, de acordo com os seguintes casos:

"Não há nada entre Pedro e Letícia."

"Entre os dois alunos, prefiro o primeiro."

Como utilizar as expressões "ter haver" e "ter a ver"



           Por que uma simples letra, ora representada pelo “h”, faz toda a diferença no momento de analisarmos as características semânticas das expressões? O fato é que tal aspecto, por mínimo que se configure, desencadeia uma série de pormenores, e um deles é em relação ao significado.
          De modo específico, ater-nos-emos a duas recorrentes expressões em que tal ocorrência se materializa, representadas por “ter a haver" ou "ter a ver”. Assim sendo, analisemos:


"Nós temos muito a haver com nossos clientes, pois já efetuamos todas as entregas."
    
  
           Constatamos que o sentido se atém a algo a receber, ou seja, algo relacionado a créditos de uma forma geral.

          Um aspecto bem interessante é que muitas pessoas empregam essa expressão de forma errônea ao fazerem uso de:

"Eu tenho uma quantia em haver com você."
           Atente-se à forma correta, que é esta supracitada.

           Já no caso da expressão “tem a ver”, percebemos seu recorrente uso mediante as conversas do cotidiano, não é mesmo? Situações como:

"Menino, o que você tem a ver com os problemas alheios?"

          Concluímos que a noção agora se refere a ter relação com algo, dizer respeito a algo.

          Vamos a outros casos representativos:


"Márcia não teve nada a ver com os problemas ocorridos na escola."

"Logo percebi que este assunto tinha tudo a ver com minha família."

"Não! Mesmo ele tendo muito a haver conosco, jamais o queremos como parceiro."
 

Expressões Idiomáticas

         Tais expressões são assim denominadas pelo fato de serem destituídas de uma tradução literal propriamente dita. Representam um traço cultural de uma determinada comunidade, razão pela qual podem ser consideradas como variantes linguísticas, uma vez demarcadas por meio de distintas regiões, cada uma revelando um significado diferente.
         Quanto às origens, podemos dizer que pertencem aos nossos antepassados e, com o passar do tempo, foram se cristalizando por meio de gerações e gerações. Dessa forma, quando nos depararmos com imagens, como as aqui representadas:


ou


           Logo saberemos que às vezes “alguém entra pelo cano” e “que pisa na bola”, não é verdade? Mas vejamos alguns casos representativos:

acertar na mosca – acertar com precisão
agarrar com unhas e dentes – dedicar-se extremamente a algo ou a alguém
bater as botas – falecer
bola murcha – sem ânimo
cara de pau – descarado, sem vergonha
dar a volta por cima – recuperar-se
encher linguiça – enrolar, preencher espaço com embromação
lavar as mãos – desprender-se de algo, isentar-se de alguma culpa
levar toco – ser impedido ou ignorado por alguém
pôr minhoca na cabeça – preocupar-se com assuntos irrelevantes
enfiar o pé na jaca – embriagar-se, cometer excessos
pendurar as chuteiras – aposentar-se
trocar as bolas – atrapalhar-se
virar a casaca – mudar de opinião, trair a confiança.